
Na última semana o médico Hussain Al-Zubaidi — especialista em medicina do estilo de vida e obesidade, palestrante, personal trainer, influenciador de saúde e triatleta de longa distância pela equipe da Grã-Bretanha — declarou em um evento do setor fitness que “as academias devem se concentrar em melhorias mensuráveis na saúde, em vez de vender a perda de peso como o principal resultado.”
Tal declaração reafirma que existem oportunidades para operadores, levando em conta que entre 60 e 70% da população do Reino Unido vive com sobrepeso ou obesidade. O Dr. Hussain Al-Zubaidi, que também é clínico geral e líder em estilo de vida e atividade física no Royal College of General Practitioners, desafiou as academias de ginástica a repensarem sua abordagem ao controle de peso, à medida que os medicamentos para obesidade transformam o mercado. Hussain argumentou que o sucesso deveria ser medido por meio de melhorias na função física, no bem-estar e na saúde, e não pela perda de quilos.
Ao discursar para o setor de fitness na HCM Summit, Al-Zubaidi, com base em sua experiência como clínico geral do NHS (Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido, equivalente ao SUS no Brasil) transmitiu uma mensagem direta sobre a necessidade de entender a obesidade como uma condição crônica, combater o estigma e desenvolver programas que complementem o tratamento médico.
Um mercado em transformação
Al-Zubaidi observou que medicamentos para perda de peso foram licenciados para essa indicação específica no Reino Unido em 2015, após o uso anterior de medicamentos similares para diabetes tipo 2. Ele questionou por que a indústria fitness demorou a desenvolver produtos que os profissionais de saúde pudessem recomendar com segurança, apesar de seus próprios relatos de interesse inicial por parte de bancos de investimento e empresas alimentícias sobre o assunto.
O mercado está mudando rapidamente, disse ele, com o GLP-1 e medicamentos relacionados afetando não apenas o peso, mas também os riscos associados à obesidade, incluindo doenças cardiovasculares.
Ele citou pesquisas sobre a semaglutida que mostram uma redução relativa de 20% em eventos cardiovasculares, mas enfatizou a importância de compreender o risco absoluto. No estudo que ele discutiu, 67 pessoas precisariam ser tratadas durante três anos para prevenir um evento cardiovascular, a um custo total do tratamento próximo a £ 500.000.
Seu objetivo não era descartar os medicamentos, mas sim incentivar uma avaliação mais completa de seus benefícios, custos e limitações.
“O único dado que importa é que entre 60 e 70 por cento da população do Reino Unido vive com sobrepeso ou obesidade”, disse ele.
Al-Zubaidi afirmou que a medicação não desenvolve massa muscular, não melhora o condicionamento cardiorrespiratório, não aprimora o equilíbrio ou as habilidades, nem estabelece hábitos sustentáveis de atividade física. Em sua opinião, é aí que as academias podem contribuir.
Ele também observou que a manutenção de uma perda de peso significativa está associada a cerca de 60 a 90 minutos de atividade física por dia, de acordo com estudos populacionais. Isso não significa que as pessoas devam passar esse tempo na academia, e ele afirmou que os estabelecimentos precisam ajudar os membros a incorporar o movimento ao seu dia a dia.