
Com uma recente atuação no mercado fitness, a engenheira civil Gabriela Tanese comanda a Viga Engenharia e Construção, empresa especializada em arquitetura e engenharia com foco em academias, estúdios e operações em expansão. Ela já desenvolveu projetos de layout técnico, setorização de ambientes, adequação às normas e processos de regularização de espaços, atendendo marcas fortes como as redes de academias Califórnia, Panobianco e Fábrica de Monstros. A equipe de Comunicação da ACAD Brasil conversou com Gabriela e o resultado está nesta edição do informativo.
Como você chegou ao mercado de academias?
No final de 2024, fui contratada para fazer o ajuste de um vestiário em uma academia, que só precisava mudar o layout. Aquele pequeno trabalho foi a minha entrada no universo fitness, que hoje é a minha paixão. Depois, para aquela mesma empresa, eu fiz um projeto auxiliar e finalmente o projeto arquitetônico. Desde abril de 2025, nosso foco está totalmente voltado ao fitness. Acredito que projetar academias é onde engenharia e performance se encontram!
Qual é a sua experiência nesse mercado e por que apostar nele?
Mesmo que minha experiência seja recente, eu digo que me encontrei no mercado de fitness, porque tudo o que você imaginar pode ser feito sem parecer uma loucura absurda. Tudo é permitido e isso é um desafio maravilhoso. Posso pintar um teto de laranja, ousar na iluminação de forma bem chamativa, com uma cor forte, vibrante. É um mercado que aposta em inovação, ousadia, experimentações. Para outras marcas, o desejo é uma academia mais clean, com iluminação aconchegante, cores suaves. Tudo é possível. O projeto arquitetônico sempre vai ser um diferencial.
O que encanta é o que é visível, mas o que fica escondido é importantíssimo num projeto, não é mesmo?
Sim! O projeto arquitetônico é aquele que você vai ver e falar “nossa, como ficou incrível!” Para colocar uma academia em pé, é preciso entender o que o arquitetônico pede: “são 20 esteiras”. Então, para atender essas esteiras, será preciso um quadro elétrico que suporte pelo menos 30, pensando em uma possível expansão, já garantimos carga suficiente. Fazer um projeto técnico adequado é fundamental para que a arquitetura possa de fato ser encantadora, garantindo a melhor experiência.
O que não pode faltar em um projeto especialmente desenvolvido para uma academia?
Um bom planejamento! É fundamental planejar o que vai acontecer naquele espaço, o que você quer que aconteça ali, num primeiro momento e, também, num futuro próximo, numa possível expansão. É primordial garantir que se tenha uma laje que aguente uma estrutura, de cargas pesadas: por norma, calculamos 500 quilos por metro quadrado, então, vamos garantir mais e colocar 700 quilos no mínimo? Isso vale também para a capacidade elétrica e para a climatização. Algumas academias são abafadas, mesmo com ar-condicionado, porque o projeto de climatização não foi adequado. O planejamento é a base de tudo, o referencial.
O que deve ser levado em conta num projeto para pequenos espaços?
O mercado fitness tem experimentado crescimento na oferta de estúdios e esse modelo traz forte a questão de comunidade, o que precisa ser levado em conta na hora do projeto. Então, é importante pensar na iluminação, que pode fazer toda a diferença, e pensar na questão de um espaço ideal para a formação daquela comunidade. Neste sentido, é fundamental ter características de identificação, para que a marca, em qualquer localização que o estúdio passe a funcionar, seja reconhecida.
Para um empresário que quer investir no mercado fitness, qual é a sua recomendação inicial quanto aos projetos de arquitetura e construção?
Independentemente do lugar onde será instalada, se é uma academia grande ou um estúdio pequeno, eu trabalharia muito forte a identidade da marca e pensaria em um espaço “instagramável”, porque isso hoje vende muito, e porque as pessoas reconhecem uma marca quando através da foto de um post. Elas reconhecem a iluminação, as cores, a identidade visual daquela marca. Esse é o ponto de partida.