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Marina Logacheva diz que “a inclusão é o futuro do fitness e também é lucrativa”

Todos são bem-vindos! Essa é a bandeira defendida por Marina Logacheva, Líder de Esportes para Pessoas com Deficiência e Gerente de Marketing na Matta – agência criativa, especializada em marcas de esportes, fitness e bem-estar. Após ter sofrido um acidente e ser usuária de cadeira de rodas, Marina aposta em formas pelas quais as academias podem acolher pessoas com deficiência.

 

Hoje, me dedico a impulsionar o marketing da Matta, além de defender a deficiência e a inclusão no mundo do esporte, saúde e bem-estar. Minha experiência na academia mudou muito após esse acidente que transformou minha vida e desde então procuro provocar um debate. Devemos nos perguntar como é, na prática, entrar numa academia sendo uma pessoa com deficiência?”, disse marina.

 

Há quatro anos, quando passou a usar cadeira de rodas, marina voltou à academia pela primeira vez após o acidente e percebeu o quão diferente era a experiência de antes.

 

“No Reino Unido, pessoas com deficiência representam 24% da população, o que é cinco vezes mais do que o número de veganos, por exemplo. Mas basta entrar em qualquer supermercado para que os funcionários saibam exatamente onde fica o corredor de produtos à base de plantas. Há sinalização, espaço nas prateleiras e muitas opções. Em contrapartida, a maioria dos funcionários de academias não recebeu nenhum treinamento de conscientização sobre acessibilidade, e a acessibilidade costuma ser uma reflexão tardia. Eis outro dado impressionante: o mercado de alimentos à base de plantas no Reino Unido movimenta £ 1,1 bilhão. O poder de compra das pessoas com deficiência é de £ 274 bilhões. As academias precisam estar preparadas para receber esse público e podem lucrar muito com isso.”

 

Comece pequeno e comece agora: com soluções rápidas e planos de longo prazo

 

A inclusão não é apenas a coisa certa a fazer, mas também uma grande oportunidade de negócios. Ser inclusivo abre portas para mais frequentadores, constrói lealdade e aumenta a lucratividade. O conselho da Marina é “Comece pequeno, mas comece agora. Designe alguém da sua equipe para assumir a responsabilidade pela inclusão. Analise a jornada do cliente. Faça uma mudança neste mês, sem esperar mais. A inclusão é o futuro do fitness. E sim, também é lucrativa. Vamos construir uma indústria que funcione e seja benéfica para todos. Isso está em nossas mãos.”

 

Como abrir portas? Resultados rápidos e estratégias de longo prazo para tornar as academias mais acessíveis.

 

  1. Comunicação: corrija a linguagem; este é o ponto de partida mais simples e pode ter o maior impacto. Uma linguagem inclusiva e respeitosa — em conversas com a equipe, formulários de integração, publicações em redes sociais — ajuda as pessoas a se sentirem acolhidas.

 

  1. Treine sua equipe: capacite seus gerentes, equipes de atendimento ao cliente e de fisioterapia em inclusão de pessoas com deficiência. Treinamentos baseados na experiência vivida são muito mais eficazes do que simplesmente enviar um PDF. Mas se o treinamento ainda não for uma opção, comece adquirindo alguns livros para a equipe, como ” Desmistificando a Deficiência: o que saber, o que dizer e como ser um aliado”, de Emily Ladau. Melhor ainda, incentive sua equipe a fazer em inclusão de pessoas com deficiência.

 

  1. Visibilidade e representação: ver pessoas com deficiência e uma representação realista da sociedade no marketing, na academia e entre os funcionários transmite uma mensagem clara: você pertence a este lugar. Criamos uma campanha para a Wattbike com “atletas do dia a dia” que teve grande repercussão porque construiu confiança e promoveu um senso de pertencimento. Como solução rápida, faça uma auditoria do seu site e das suas redes sociais. Destaque membros e embaixadores com deficiência reais nas suas comunicações visuais. E, a longo prazo, invista tempo na criação de uma estratégia de inclusão clara, contrate e treine pessoas com deficiência e funcionários com deficiência.

 

  1. Espaços acessíveis: 76% das pessoas com deficiência dizem que gostariam de ser mais ativas, mas não conseguem devido a equipamentos ou ambientes inacessíveis. Comece pelo básico: existe uma rampa se houver um degrau? Você tem uma variedade de equipamentos, como bicicletas ergométricas para os braços, simuladores de esqui, remos ergométricos ou Speedflex Blades, para atender a diferentes necessidades? O design inclusivo — como portas mais largas e novos equipamentos — requer investimento (às vezes mínimo), mas transforma seu espaço para centenas de membros em potencial que atualmente estão excluídos.

 

  1. Considere toda a jornada do seu cliente: a inclusão não começa na recepção, mas sim quando alguém pesquisa sua academia no Google, do conforto do seu sofá. Suas fotos e campanhas da academia são inclusivas? Você atualizou seu perfil no Google e seu site com recursos de acessibilidade, com descrições e fotos claras? Os usuários conseguem agendar uma visita ou falar com alguém facilmente? Com muita frequência, os chuveiros acessíveis não têm barras de apoio ou os elevadores estão fora de serviço. É preciso analisar toda a jornada do cliente — do site ao treino — e convidar pessoas com deficiência para percorrê-la com você e compartilhar um feedback honesto.
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