
A carreira de personal trainer combina confiança na permanência e uma percepção ainda cautelosa sobre a valorização da profissão. Segundo a 5ª edição do Panorama Setorial Fitness Brasil, 71% dos profissionais pretendem continuar atuando por mais dez anos. Apenas 9% consideram a profissão muito valorizada no país.
Os dados vêm do capítulo dedicado aos personal trainers, com respostas de profissionais que atuam em diferentes regiões. Eles refletem a amostra pesquisada, e não o universo da categoria.
Quem é o profissional da amostra
O perfil é maduro e experiente. A amostra tem 60% de homens e 40% de mulheres, e mais da metade dos respondentes tem acima de 40 anos. Mais de 90% possuem bacharelado, isolado ou combinado com licenciatura, e quase nove em cada dez declaram alguma formação complementar.
Na organização da carreira, 92% têm registro ativo no CREF e 79% atuam como autônomos ou PJ. Quase metade está na profissão há mais de dez anos, ou seja, autonomia parece ser um modelo consolidado, e não uma fase de transição.
A média nacional é de cerca de 34 profissionais registrados por 10 mil habitantes, ou um para cada 295 pessoas. Distrito Federal (69), Santa Catarina (54) e Mato Grosso do Sul (47) lideram a densidade. Maranhão (14), Bahia (16) e Pará (19) têm os menores números.
Satisfação positiva, valorização parcial
A satisfação profissional teve NPS de 20,7. O resultado é sustentado por 36% de promotores, contra 14% de detratores, e 50% das notas se concentram em 7 e 8. O Panorama vê aí espaço para ampliar a satisfação e fortalecer a valorização da carreira.
Sobre o reconhecimento, 9% consideram a profissão muito valorizada e 51%, parcialmente valorizada. Outros 27% a veem como pouco valorizada e 13%, como não valorizada. Somados, 40% enxergam pouca ou nenhuma valorização.
Confiança na permanência
Apesar disso, o compromisso com a carreira é alto. Além dos 71% que querem seguir por mais dez anos, 18% têm dúvidas e 11% não pretendem continuar. Entre os que dão notas 9 e 10 à satisfação, mais de 90% planejam permanecer.
O estudo observa que a intenção de continuar cresce junto com a satisfação, o que associa o bem-estar profissional à permanência na área.
Como a carreira de personal trainer chega a 2030
Para 2030, 30% esperam uma profissão mais integrada ao mercado de saúde e bem-estar e 29%, mais tecnológica. A visão de uma carreira mais valorizada tem 16%, a de mais competitiva, 14%, e a de mais empreendedora, 7%. Para 4%, a profissão será mais difícil financeiramente.
As tendências de crescimento seguem a mesma linha: saúde preventiva e bem-estar lidera, com 34%, seguida pelo treino personalizado, com 24%. Conhecimento técnico, atendimento, integração entre treino e saúde e relacionamento aparecem empatados, com 15%, entre os diferenciais do profissional do futuro.
O baixo peso do empreendedorismo chama atenção porque 67% dos respondentes sentem falta de conteúdos de gestão, vendas e empreendedorismo na formação. Para o Panorama, o tema ainda está fora do radar justamente onde o repertório é mais frágil, o que abre espaço para capacitação