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Sandra Madormo: ativista até debaixo d’água e cocriadora do INATI e do Congresso de Natação Infantil

Em 2025, um grupo de mulheres, a maioria à frente de academias com atividades aquáticas, se uniu em uma mentoria de gestão, trocaram muitas experiências e dali nasceu uma amizade para além dos estudos. Esse grupo foi levado à ACAD através das diretoras Arethusa Salomão e Monica Marques e assim nasceu o ACAD Mulher, um espaço de troca de boas práticas e apoio mútuo, que quer mostrar o papel da mulher no fitness, compartilhando histórias de gestoras, empresárias, profissionais do fitness que são verdadeiras inspirações e que fazem a diferença no setor.

A primeira inspiração de 2026, em nosso espaço ACAD Mulher no Informativo, é Sandra Mardomo. Pode-se dizer que a abordagem sobre natação infantil, tal qual se conhece hoje, se mistura com a trajetória profissional desta mulher que, além de fazer questão de estar mergulhada nas atividades com crianças dentro das piscinas, é professora de pós-graduação, palestrante, mentora, consultora e diretora do Instituto de Natação Infantil – INATI. Sandra é, também, uma ativista da segurança aquática. A equipe de comunicação da ACAD conversou com ela especialmente para esta edição do Informativo.

Você é uma referência e inspiração para o mercado. Como é sua história dentro das piscinas?

Aprendi a nadar aos 8 anos na Escola do SESI da Vila das Mercês, em São Paulo. Meu professor de Educação Física, José Paulo Scatena, percebendo minha habilidade natural, me convidou para treinar e depois fazer parte da equipe que representava o SESI. Cheguei a ser campeã Paulista infantil nos 50mts nado crawl e participei do programa Adote um Atleta do Estado de São Paulo. Porém, quando tinha 15 anos, quase simultaneamente, tanto o SESI quanto o Adote encerraram seus projetos, me obrigando a parar de nadar. Por ser de uma família com poucos recursos financeiros, decidi começar a trabalhar. E aí meu destino foi traçado. Um dos meus técnicos, José Fontanelli, sabendo da minha necessidade e enxergando potencial em mim, convidou-me para ser sua auxiliar nas aulas de natação para bebês e crianças na academia Fit Center, no Morumbi, São Paulo. Como a época não havia regulamentação da profissão de Educação Física, iniciei minha carreira aos 15 anos. Me apaixonei pela área instantaneamente. Aos 18, entrei na faculdade; logo depois, fiz a pós-graduação em psicomotricidade, influenciada pela Cacilda Velasco, para embasar teoricamente aquilo que já fazia empiricamente. Tenho por característica de personalidade buscar os porquês das coisas e isso aplico diariamente na minha vida pessoal e no meu trabalho. Isso me fez e faz investir muito em formações complementares tanto no Brasil como no exterior.

Qual a motivação para criação do Congresso de Natação Infantil e do INATI?

Desde o início, meu objetivo foi ensinar por meio do prazer de estar na água, sem forçar as crianças e estabelecendo uma relação próxima com os pais, informando-os sobre o desenvolvimento global das crianças, além da natação em si, que sempre encarei como uma consequência natural dessa evolução. Essa visão foi chamando a atenção do mercado e fui sendo convidada para ministrar cursos em faculdades, pós-graduações, palestras em eventos e escolas de natação no Brasil, culminando em 2008, quando resolvi, junto com o meu marido Rafaele Madormo, criar o Congresso Brasileiro de Natação Infantil, para disseminar essa minha visão e divulgar o que está acontecendo na natação infantil no Brasil e no mundo.

Depois de criar o CBNI, percebemos que precisávamos fazer algo mais abrangente, que não se limitasse a um evento. Em 2011, criamos o INATI – Instituto de Natação Infantil, que tem como missão ajudar a criar condições para que o mercado se desenvolva através da disseminação de informação, na conscientização da segurança aquática, no fomento à pesquisa, na formação de profissionais, na preservação da história e no reconhecimento dos profissionais que atuam na Natação infantil. Felizmente, tanto o CBNI quanto o INATI têm reconhecimento nacional e internacional devido à consistência do trabalho, o que muito nos orgulha.

 

Quase 20 anos depois desta criação, quais foram os principais avanços?

O CBNI trouxe um formato diferente para o segmento e influenciou outros eventos que surgiram depois, o que fortaleceu a natação infantil como atividade e vem valorizando os profissionais que nela atuam. Somos reconhecidos e endossados pela ISSA – International Swim Schools Association como um dos eventos mais importantes do mundo. De acordo com nossa visão e a necessidade do mercado, vamos evoluindo, por isso criamos o INATI Inspira, que é a reunião de três eventos paralelos para atender os diferentes públicos. Ele é constituído do tradicional CBNI em sua 16ª edição, do S4 – Swim Schools Strategic Summit, voltado para gestores aquáticos, em sua 4ª edição, e do novíssimo NI&CriD – Natação Infantil e Crianças com Deficiência, que é um seminário de um dia inteiro, com foco nesse público que tem crescido muito nas academias e escolas de natação.

Quanto ao INATI, entre as muitas ações destaco o trabalho de conscientização sobre a segurança aquática, junto às escolas de natação e profissionais da área. Criamos, em 2012, o Mês Nacional de Segurança Aquática, que se tornou um evento nacional, e devido a sua importância e ao trabalho do INATI junto ao Congresso Nacional, foi reconhecido como data oficial do país através da lei federal 15.258 aprovada em novembro de 2025. Também criamos o Dia da Natação Infantil, comemorado em 28 de abril, para valorizar a atividade e servir de reconhecimento a um dos mais importantes profissionais do Brasil em natação para bebês e crianças, José Fontanelli. Acredito
que o mercado se transformou ao longo desses anos e que nossas ações tenham contribuído, juntamente com outros profissionais e entidades, nessa evolução, mas há ainda muito por fazer.

Você já palestrou em 14 países — da Austrália à República Tcheca, dos Estados Unidos à Singapura — o que a experiência em mercados internacionais lhe revelou?

A internacionalização do nosso trabalho começou em 2008 pela Grécia e durante estes anos o que tenho observado nos eventos de que participo como palestrante e como participante é a evolução de uma natação infantil empírica para uma natação infantil cada vez mais buscando respostas e fundamentação na ciência. Nesse ponto o Brasil, para nosso orgulho, tem se destacado, o que nos faz ter o reconhecimento internacional pelos trabalhos de ponta realizados em nosso país que podem ser comparados aos melhores internacionais. A experiênc

 

ia internacional agregou muito ao meu trabalho e se tornou parte da minha rotina, pois viajo 2 ou 3 vezes por ano para ministrar cursos. Neste semestre vou para Costa Rica, Portugal e Espanha.

O que representa para você ainda dedicar tempo às aulas dentro das piscinas?

Faz parte da minha essência. As aulas para as crianças são a parte de que mais gosto do meu trabalho. São fundamentais para que eu possa exercer as outras atividades como professora de pós-graduação, palestrante, mentora e consultora. É o vínculo que me permite entender as necessidades dos alunos e dos pais e depois, transformar isso em aula ou palestras e organizar os temas do congresso. Além disso, eu me divirto com as crianças ao entrar no mundo delas, o que me rejuvenesce e torna o meu dia mais leve.

Qual seria a sua dica de milhões para quem deseja atuar ou já atua com atividades aquáticas?

A água é um elemento vital da vida de qualquer pessoa, mas para um professor de natação, ela é uma fonte de prazer profissional, quando encarada com profissionalismo, estudo, respeito e paixão.

 

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